Quem disse que eras fraco, ó Povo? Os que te chamam oprimido para mais te sugarem. Abriram-te as portas do Inferno mas teu instinto genésico segredou-te: aqui começa a morte. E num clarão da tua antiga clarividência viste que os que a ti se submetiam em peçonhenta piedade populista te queriam subjugar. E encrespaste-te. E empunhando a tocha de um Abril que te haviam roubado queimaste as máscaras dos diligentes vampiros da Pátria.
Em ti eu louvo o guardião da Nave que perpetuamente carrega os tesouros da descoberta. Outrora em transparências dissolveste o breu do Mar Ignotus. Hoje teu albedo é a flor azul que desponta nos confins da ansiedade com que te perscrutas. E é sempre o mesmo e único segredo. Os monstros entornaram o teu vinho? queimaram as tuas searas? salgaram as fontes onde cantavam os teus deuses? Estás triste, ó operário dessas coisas por ti criadas? Engolfa-te na dor já que és ourives do ouro atormentado. A tua tristeza está destinada a iluminar o mundo. Com ela nivelo o meu canto. E dissipo as nuvens. Por detrás delas embusca-se a besta.