Quem sois vós ó sinistros arquitectos deste lugar sombrio onde os enganadores despejam seu saco de silício? Saístes dos livros onde está escrito o fim dos tempos? Nem mesmo para essa glória aterradora tendes ferocidade e estatura. Sois baixos. Enormes na baixeza. E tudo rebaixais ao vosso tamanho ridículo de profetas anões. Que fizestes da minha cidade?, aquela que numa manhã de Abril foi percorrida pelo archote da Boa Nova. Outra vez putrefacta se soergue a censura de língua carcomida pelos vossos vocábulos hipocritamente revolucionários. Induzistes o filho a denunciar o pai, o amigo a atraiçoar o amigo. Destes a beber uma mistela de ódio ao camponês e dissestes: “rouba os três palmos de terra ao mísero proprietário que não é do nosso partido”. Porque aos que não eram do vosso bando infligíeis pavorosas intimidações e os que nele assustadamente ingressavam para defender seus bens de vós colhiam o rédito de escandalosos benefícios. E de novo se moveram perseguições. E o sadismo engendrou torturas que vexavam a imaginação perversa dos antigos verdugos. E pusestes o vosso veneno em multitudinários ruídos que perforavam o esófago e em palavras que chamavam bom ao que nos homens é mau. E urinastes nas paredes enganos que prometiam fartura e traziam a fome. E confundistes. E emaranhastes. E do medo e da ruína vosso trabalho ficou pronto. E, dando por terminado o ofício da besta, dissestes: esta sim, é a Revolução.
Ó minha alma avisada, fonte manante do canto vertical! Empluma-te, ó minha juba de poemas! A voz do espírito livre dilacera os mastins hipócritas. Tal é o mister do leão.