Apanhadas pelo tempo dos espantos, belíssimas eram as pessoas porque só viam a beleza. É nesse rapto dos olhos alumbrados que as hienas exercem o seu ofício de preparar cadáveres. Em seu implacável andamento, os animais necrófilos da Revolução foram devastando a fábula. Docemente diziam: o Povo. E nos espelhos desta sua mágica as massas enlouqueciam. E bebendo o vinagre dos novos opressores repetiam a viperina palavra do seu magistério liberticida: eis o mel da libertação. E correndo para os apriscos que a treva lhes tecia arrasavam os sítios onde da liberdade cresciam as tenras ervas.
“Acaso — perguntei-me — outra vez o morcego abre as suas asas terríveis para anoitecer meu canto?”
E pus-me atenta como uma dor no estômago que é sentida em poemas.